Como o sequenciamento genético irá mudar o controle de qualidade dos alimentos

O sequenciamento genético colaborou significativamente para incontáveis avanços e melhorias da vida humana, principalmente na área de saúde, onde normalmente ganha mais destaque. Mas essa tecnologia tem se alastrado para muitas áreas, como é o caso da indústria alimentícia, gerando ganhos significativos pela maior precisão e agilidade.

Alguns setores industriais já estão investindo no controle que qualidade dos alimentos por analises a partir do DNA, sorte dos consumidores que tem assim muito mais segurança no consumo.

O método tradicional de controle de organismos contaminantes e patogênicos nos alimentos é demorado e muitas vezes não conclusivo. Até o momento, era necessário fazer o cultivo dos microrganismos em laboratório, para dias depois identificar os gêneros que se desenvolveram naquele cultivo.

Além da morosidade, esse método se baseia em características morfológicas e bioquímicas para identificar quais espécies cresceram, o que muitas vezes leva ao falso positivo ou falso negativo. Isso para a indústria significa perda de lotes não contaminados ou, muito pior, liberação de alimentos não seguros.

As novas metodologias não só resolvem esse problema como ampliam o controle microbiológico dos alimentos. A Doutora em Bioquímica e Biologia Molecular e sócia fundadora da GoGenetic, Michelle Tadra Sfeir, especialista em análises genéticas, explica esse controle melhorado.

“Ao analisar uma amostra do alimento, é possível identificar todos os microrganismos presentes, desde os benéficos probióticos até contaminantes indesejados e patógenos. É possível também mapear geneticamente toda a linha de produção, e assim determinar com exatidão a fonte de contaminantes ou patógenos, e tomar a melhor decisão para corrigir o problema”, explica Tadra-Sfeir.

“A nossa metodologia pula a etapa de cultivo, e lança mão da precisão das análises de DNA. Assim, conseguimos saber tudo sobre o alimento e sua produção, garantindo qualidade para o fabricante e segurança alimentar para o consumidor”, garante Michelle.

Outra vantagem importante para a indústria é a questão do tempo, a nova metodologia possibilita a liberação dos lotes com muito menos tempo, uma vez que pula a etapa da cultura. “Para identificar microrganismos patogênicos específicos, por exemplo, é possível analisar e gerar laudo de análise preciso em cerca de 7 horas. No método tradicional, dependendo do tipo de alimento, a análise leva de 48 horas a até alguns dias.”

O número de amostras que podem ser analisadas de uma só vez também assegura a vantagem da metodologia, é possível estudar centenas de amostras ao mesmo tempo, e com o uso da bioinformática é possível fazer a interpretação desses dados em um tempo bem curto.

Algumas empresas, que demandam esse tipo de análise, já iniciaram esse processo de modernização ainda procuram esses serviços fora do Brasil, mas já é possível encontrar essa tecnologia aqui mesmo. A GoGenetic é um exemplo, uma startup incubada na Universidade Federal do Paraná que oferece essa inovação de forma rápida e segura às indústrias brasileiras.

“Estamos desbravando esse mercado aqui no Brasil, até agora toda essa tecnologia estava escondida dentro das universidades. Fundamos a GoGenetic para usar todo o nosso conhecimento e anos de pesquisa para facilitar a vida da indústria e colaborar para segurança alimentar, que sempre foi nosso objeto de estudo” declara a pesquisadora.

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