A Biofertilização está no nosso DNA

Quando nos perguntam como a GoGenetic nasceu, temos muitas respostas, mas o cerne desta questão é uma bactéria. Sim, a Herbaspirillum seropedicae, não se preocupe, não é nenhum palavrão, é apenas o nome científico da bactéria que uniu nossos estudos e nos levou à especialização em sequenciamento genético. Um caminho apaixonante e sem volta. Por isso, temos orgulho em dizer que o Agro está no nosso DNA.

Nosso objeto de estudo era saber como essa bactéria (Herbaspirillum seropedicae) se comporta ao fixar nitrogênio em gramíneas. Calma, vamos tentar explicar de forma simples, mas entenda que são questões complexas e apenas uma parte dentro de um universo científico muito maior. Mas, vamos lá.

Primeiro um breve contexto: A soja brasileira é muito competitiva porque usa muito pouco fertilizante químico, existe uma bactéria (Bradyrhizobium japonicum) que se liga à raiz da planta e ajuda a fixar o nitrogênio do ar e com isso crescer mais forte e saudável. Esse processo é feito pelos inoculantes, ou também conhecido como biofertilização.

O que ocorre é que essa mesma bactéria não reage da mesma forma com gramíneas, como arroz, trigo e milho. No entanto, essas plantas, por serem base da alimentação de humanos e animais, são muito importantes para a economia mundial. Logo, muitos estudo científicos são feitos para descobrir quais bactérias e como se dá o processo de inoculação com essas plantas (gramíneas).

É nessa história que começa a união dos sócios da GoGenetic, por isso a questão de inoculantes é um dos pilares que sustenta a empresa.

Comecemos com a Michelle Tadra, ela teve grande parte dos seus estudos voltados para a própria bactéria e foi a primeira a utilizar o sequenciamento de nova geração para descobrir as características da bactéria e como ela se comportava no momento da interação com a planta. Depois de dominada a técnica de sequenciamento de nova geração, Michelle participou de diversos projetos também envolvendo RNA e se tornou especialista em Trasncriptoma, falaremos mais sobre esse assunto em outro post.

A pesquisadora ultrapassou as fronteiras da inoculação e participou de projetos envolvendo humanos, peixes, outras bactérias e o próprio solo. Nesse processo ela ganhou larga experiência em RNA – objeto de estudo muito mais complexo que o DNA.

Eduardo Balsanelli teve vasta experiência com o comportamento da bactéria com o milho. Ele pesquisou como a bactéria coloniza a planta, quais as características que permite a colonização e aí se deu o mergulho no mundo genético. Depois ele foi entender quais os mecanismos que a bactéria usou para fornecer o nitrogênio à planta.

Depois de algumas respostas o pesquisador entendeu que havia a possibilidade de modificar o gene da bactéria para que ela fosse mais assertiva na fixação do nitrogênio. Ou, ainda, entender as características que são importantes no processo e aí ir em busca de bactérias mais eficientes no meio ambiente. Nesse processo o pós-doutorado de Balsanelli estudou diversas atmosferas para comparar microrganismos com potencial de fixação. Ele estudou o ar da mata atlântica, da pampa e até da Amazônia, então se você almejar saber o DNA do ar que se respira na Amazônia, temos.

Uma das pesquisas de Vânia Pankievicz foi entender o processo pós fixação, descobrir se o nitrogênio fixado pela bactéria era mesmo utilizado pela planta. Então, mais uma vez o entendimento mais que apurado em sequenciamento genético foi necessário.

Vânia teve a oportunidade de sair do Brasil e fazer suas experiências em uma planta modelo nos EUA, utilizando metodologias com radioatividade, ela conseguiu demonstrar que a planta se beneficiava diretamente do nitrogênio levado pela bactéria. Parece pouco, mas para o avanço da ciência foi muito significativo.

Tudo isso para demostrar que além dos títulos PHDs que carregam, os sócios da GoGenetic levam o propósito e o compromisso do desenvolvimento sustentável e baseado no rigor científico. O desafio da empresa é levar todo o conhecimento e expertise que adquiriram em mais de uma década de estudo para desenvolver soluções que ajudem o mundo aqui fora.