Startup curitibana desenvolve teste molecular para COVID-19

A startup, que está incubada na UFPR, desenvolveu um teste que detecta o vírus causador da COVID-19 por sequenciamento de DNA.

A importância da testagem da população frente à pandemia, causada pela COVID-19, fez com que os pesquisadores da GoGenetic, que até fevereiro deste ano estavam focados em detecção rápida de salmonella, controle de qualidade de inoculantes, entre outros projetos, dedicassem tempo e pesquisa para o vírus que paralisou o mundo.

Virologia não fazia parte do dia-a-dia da empresa, mas o DNA sim. O sequenciamento genético e as análises por RT-PCR faziam parte da rotina diária do grupo de pesquisadores que em 2016 fundaram a startup.

Diante de todo o conhecimento, expertise, prática e experiência com essas técnicas, e toda a tecnologia disponível, não era possível ficar alheios à situação. A detecção do vírus, por meio do qPCR pode ser implementada logo nas primeiras semanas, a startup possui um aparelho próprio, além de mais dois que podem ser utilizados na UFPR. Mas os problemas não estavam apenas na detecção, estavam nos insumos, a quantidade de kits disponíveis no mercado é cada vez mais escasso.

Em meio a esse cenário os pesquisadores desenvolveram uma metodologia que utiliza menos insumos e consegue detectar as marcas genéticas do vírus com a confiança de uma metodologia molecular, sem a dependência dos KITs de RT-PCR.

Embora essa técnica seja um pouco mais demorada que a técnica por kit, ela pode auxiliar em estudos epidemiológicos posteriores, pois seus dados de sequenciamento genético vão auxiliar em estudos sobre a distribuição, determinantes da doença e das condições relacionadas à saúde da população exposta ao COVID-19. Tais estudos não são possíveis com resultados provenientes da técnica de RT-PCR.

O projeto da GoGenetic é atender empresas que estão na linha de frente e precisam agir preventivamente para proteger seus funcionários. A ação envolve testar pessoas, inclusive assintomáticas, que estão expostas ao contágio, como é o caso de hospitais, farmácias, supermercados etc.

Diferença do teste molecular para as testagens rápidas por imunologia

Os testes rápidos não verificam a presença do vírus e sim dos anticorpos que o corpo produz para combatê-lo. Essa metodologia só tem eficácia se testados pacientes que estejam apresentando sintomas há pelo menos cinco dias, o que não é o melhor formato para agir de forma preventiva. A testagem por metodologias moleculares, que incluem RT PCR e o sequenciamento genético, detectam o vírus logo no primeiro dia de contágio.

O teste

A técnica consiste na avaliação da presença do gene S da cepa infecciosa COVID-19 através da amplificação inicial deste gene a partir de amostras de indivíduos, seguida de sequenciamento dos fragmentos amplificados. Após a obtenção das sequências do fragmento acima citados iremos montá-las e alinhá-las contra genoma em banco de dados público. Caso o resultado seja positivo para COVID-19 iremos fazer um exame de contraprova com gene E + M, que será novamente uma PCR, sequenciamento e análise em banco de dados. Caso o resultado seja confirmado o comunicado será feito em forma de laudo para o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen).  

Além da metodologia por sequenciamento genético, a startup também realiza a análise por RT PCR, dependendo da disponibilidade de KITs no mercado.

Extração Segura

Uma das inovações do teste, foi o desenvolvimento de um protocolo seguro para a extração do RNA do vírus. O swab, dispositivo que coleta a amostra nasal, é armazenado em um tubo com a solução de transporte viral que irá desativar o vírus, caso ele esteja presente na amostra. Esse manejo não impede a detecção por nenhuma das duas metodologias. O processo dará segurança para a extração do RNA sem o risco de contaminação na manipulação. Caso necessário, estabelecemos parceria com o Hospital de Clínicas do Paraná (HC), para extração no laboratório credenciado da instituição.